Sobre o livro Escolas da Amazônia do amigo Tiese Jr., o professor de Literatura Jefferson da Silva faz uma excelente resenha deste material que deveria ser livro de cabeceira de todo bom educador, especialmente os amazônidas.
MEMÓRIAS. E QUE
MEMÓRIAS!
Com sua obra de
caráter inovador, Tiese Teixeira Jr. tem deixado sua marca na história da
literatura amazônica com esta coleção de memórias intitulada Escolas da Amazônia, em que a
ambientação constitui municípios, vilas, lugarejos de nossa região que, à parte
do que é ficcional, retratam precisas e valiosas informações a respeito das
condições de vida desses lugares conforme os costumes da época (que, talvez,
ainda resistam até hoje), compondo um verdadeiro retrato da realidade física e
social da Amazônia, ampliando os horizontes quanto à literatura e à cultura
universais. Tomando como fundamentos as ideias de Antônio Cândido quanto às
relações entre literatura e sociedade e as de Mikhail Bakhtin quanto ao
dialogismo, Escolas da Amazônia é uma
obra que cria diferentes cruzamentos, aproximando, por exemplo, a linguagem e a
cultura de uma época – não tão longe assim – para uma geração de leitores que
não tiveram experiências ou contato com pessoas desse tipo. Aliás, a leitura
das memórias nos faz mergulhar numa perspectiva que parece estar longe, mas que
emana das próprias características de um povo onde quase tudo falta, menos a
vontade de vencer barreiras, onde se travam vitórias e derrotas, dando saltos,
provocando rupturas, transformando-se, recordando-se. Aí está o verdadeiro
sentido da historicidade do texto literário, um sentido de vida, de
permanência, que difere daquilo que é meramente descritivo e classificatório.
A história não concebe séries isoladas: uma série, enquanto tal, é estática, a alternância dos elementos nela pode ser somente uma articulação sistemática ou simplesmente uma disposição mecânica das séries, mas de modo algum um processo histórico; só a determinação de uma interação e de um mútuo condicionamento de dada série com outras cria a abordagem histórica. É preciso deixar de ser apenas si próprio para entrar na História. (BAKHTIN, 1988, p.26-7)
A história não concebe séries isoladas: uma série, enquanto tal, é estática, a alternância dos elementos nela pode ser somente uma articulação sistemática ou simplesmente uma disposição mecânica das séries, mas de modo algum um processo histórico; só a determinação de uma interação e de um mútuo condicionamento de dada série com outras cria a abordagem histórica. É preciso deixar de ser apenas si próprio para entrar na História. (BAKHTIN, 1988, p.26-7)

Jefferson César Reis da Silva
Professor de Literatura
Referências:
BAKHTIN,
Mikhail. Questões de literatura e estética: a teoria do romance. Trad. Aurora
Fornoni Bernardini et alii. São Paulo: Hucitec/Unesp, 1988.
CANDIDO,
Antonio. A literatura e a formação do homem. Ciência e Cultura, v. 24, n. 9,
1972.
_________
. O direito à literatura. In: _________ . Vários escritos, 3. ed. São Paulo:
Duas cidades, 1995.
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